quarta-feira, 22 de março de 2017

Importância da terapia no diagnóstico de câncer, tratamento e reinserção social



O tema desta semana é a importância do acompanhamento psicológico no diagnóstico de câncer, tratamento e reinserção social. Confira detalhes no texto da psicóloga Flávia Sayegh, da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia)

Apesar de todo o conhecimento e informações, o câncer ainda é repleto de estigmas.

O diagnóstico oncológico e a realização de procedimentos invasivos durante o tratamento podem desencadear um desequilíbrio emocional tanto no paciente quanto em sua família, trazendo sentimentos como medo, ansiedade e revolta.

As mudanças na vida das pessoas afetadas pela doença são significativas, o que evidencia a importância do apoio psicológico frente às dificuldades que precisam ser atendidas.

A psico-oncologia, uma especialidade dentro da Psicologia da Saúde, representa a área de interface entre a Psicologia e a Oncologia e atua justamente nas necessidades destes pacientes. São diversos os momentos em que este profissional pode ajudar:

· Suporte emocional diante do diagnóstico:

Esta é uma fase marcada por angústia e ansiedade, afinal, após um período de expectativa e exames considerados complicados, receber o diagnóstico não é nada fácil.

No momento inicial do tratamento tudo é novo e fica muito difícil assimilar as informações de uma só vez.

O acompanhamento psicológico pode ser muito importante para auxiliar o paciente e familiares a se ajustarem a esta nova realidade. Aos poucos, todos poderão se sentir mais fortalecidos para passar por esta situação da melhor maneira possível.

· Suporte emocional durante o tratamento:

O tratamento do câncer pode ser muito desgastante, uma vez que envolve internações prolongadas, idas ao hospital, visitas ao médico e mudanças físicas. Em alguns casos os efeitos colaterais do tratamento também causam desconforto e, aliado a tudo isso, ainda é necessário lidar com as demandas da vida cotidiana ao mesmo tempo.

Em maior ou menor grau, o paciente pode apresentar dificuldades de lidar com estas situações. O trabalho da Psico-oncologia pode facilitar o manejo dos tratamentos médicos propostos, promovendo uma melhor forma de enfrentamento e qualidade de vida durante este período.

· Suporte emocional no término do tratamento e reinserção social:

Na maioria das vezes as pessoas interrompem os estudos e/ou o trabalho enquanto estão realizando o tratamento. Após a alta, normalmente estão aptos para voltar à rotina e este é um momento muito delicado, cercado de expectativas e ansiedade.

Em alguns casos os pacientes podem apresentar algum tipo de sequela causada pela doença e precisam aprender a lidar com estas limitações. Algumas pessoas, por exemplo, ainda não conseguem voltar para o mesmo local em que estudavam/trabalhavam e precisam enfrentar novas maneiras de buscar a inserção no mercado de trabalho.

Situações como estas fazem com que o apoio psicológico neste momento seja tão importante quanto o realizado durante o tratamento. O profissional ajudará o paciente a lidar com as situações do dia a dia, e também com a ansiedade presente nas consultas para acompanhamento e exames de controle – afinal, mesmo em alta, é muito comum ter o medo de a doença voltar.

O apoio psicológico também deve acontecer frente à impossibilidade de cura e a convivência com a doença crônica, que muitas vezes requer adaptabilidade a uma nova realidade.

Por Flávia Sayegh - Psicóloga da ABRALE.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Fatores de risco - câncer de mama



O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Confira abaixo os fatores de risco, listados pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). 

O câncer de mama não tem uma causa única. Diversos fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença, tais como: idade, fatores endócrinos/história reprodutiva, fatores comportamentais/ambientais e fatores genéticos/hereditários.

A idade, assim como em vários outros tipos de câncer, é um dos principais fatores que aumentam o risco de se desenvolver câncer de mama. O acúmulo de exposições ao longo da vida e as próprias alterações biológicas com o envelhecimento aumentam o risco. Mulheres mais velhas, sobretudo a partir dos 50 anos, são mais propensas a desenvolver a doença.

Fatores endócrinos ou relativos à história reprodutiva - Referem-se ao estímulo do hormônio estrogênio produzido pelo próprio organismo ou consumido por meio do uso continuado de substâncias com esse hormônio. Esses fatores incluem: história de menarca precoce (idade da primeira menstruação menor que 12 anos); menopausa tardia (após os 55 anos); primeira gravidez após os 30 anos; nuliparidade (não ter tido filhos); e uso de contraceptivos orais e de terapia de reposição hormonal pós-menopausa, especialmente se por tempo prolongado.O uso de contraceptivos orais também é considerado um fator de risco pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) da Organização Mundial da Saúde (OMS), embora muitos estudos sobre o tema tenham resultados controversos

Fatores relacionados a comportamentos ou ao ambiente - Incluem ingestão de bebida alcoólica, sobrepeso e obesidade após a menopausa e exposição à radiação ionizante (tipo de radiação presente na radioterapia e em exames de imagem como raios X, mamografia e tomografia computadorizada). O tabagismo é um fator que vem sendo estudado ao longo dos anos, com resultados contraditórios quanto ao aumento do risco de câncer de mama. Atualmente há alguma evidência de que ele aumenta também o risco desse tipo de câncer.

O risco devido à radiação ionizante é proporcional à dose e à frequência. Doses altas ou moderadas de radiação ionizante (como as que ocorrem nas mulheres expostas a tratamento de radioterapia no tórax em idade jovem) ou mesmo doses baixas e frequentes (como as que ocorrem em mulheres expostas a dezenas de exames de mamografia) aumentam o risco de desenvolvimento do câncer de mama.

Fatores genéticos/hereditários - Estão relacionados à presença de mutações em determinados genes transmitidos na família, especialmente BRCA1 e BRCA2. Mulheres com histórico de casos de câncer de mama em familiares consanguíneos, sobretudo em idade jovem; de câncer de ovário ou de câncer de mama em homem, podem ter predisposição genética e são consideradas de risco elevado para a doença.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O que fazer quando a sombra acontece?



O tema desta semana é a importância de "aceitar a si mesmo", incluindo frustrações e sentimentos sombrios. Confira o texto reflexivo da psicóloga Patricia Gebrim, publicado no site Vya Estelar:

A vida é a arte de recomeçar. Ou aprendemos, ou teimosamente sofremos, aprisionados pela nossa falta de flexibilidade, enrijecidos por nossa falta de sabedoria.

Ouçam essa verdade. Muitas vezes as coisas não são como queremos. Mais vezes do que gostaríamos.

Planos não acontecem como imaginávamos, pessoas não agem como desejaríamos, pneus furam, voos são perdidos, aplicações financeiras não rendem o prometido, alguém vê a vaga no estacionamento antes de nós, a pessoa que amamos ama outro alguém, adoecemos no dia de nossa tão desejada viagem, e por aí vai. A vida é feita de tudo isso também. De frustrações, de dores. Às vezes as coisas fluem como planejamos, mas nem sempre, e é nessa hora frustrante, em que tudo parece dar errado, que se esconde uma incrível oportunidade. A oportunidade de crescer, de virar gente grande, a oportunidade de dar um passo adiante e deixarmos de agir como crianças mimadas que esperam que tudo seja como desejamos, como planejamos em nosso mundo de fantasias.

Não, não é fácil, eu sei. Não é fácil lidar com a enorme frustração que se abate sobre nós nesses momentos. Seja compassivo e flexível. Seja gentil consigo mesmo. Não exija perfeição de si mesmo em um momento assim, afinal somos todos humanos. Observe os sentimentos que afloram, como uma nascente que brota de um mar revolto e escuro, das suas entranhas, das suas sombras, do buraco negro que mora dentro de você. Talvez você se sinta perseguido ou atacado pela vida. Talvez seja tomado por uma profunda tristeza, ou sinta uma raiva ancestral. Talvez sinta um ódio profundo por si mesmo. Tudo bem. Observe tudo isso, observe esses sentimentos sombrios que também fazem parte de seu ser. Permita que eles fluam. Sinta-os em cada célula de seu corpo. Eles são uma parte sua, clamando por transformação. Acolha-os, aceite-os. Traga-os para a luz de sua consciência. Sinta, o que quer que estiver sentindo. Permita-se ser tudo o que é. Sinta-se vítima, o pior dos piores, sinta a tristeza, a raiva, o ódio... O que for. Tranque-se em casa. Chore por uma semana. Coma doces até ficar com dor de barriga (se puder, pare um pouco antes), evite as pessoas, blasfeme.

Sinta a presença da sua sombra, até que ela esteja bem perto de você, tão perto a ponto de você poder colocá-la em seu colo, naquele espaço sagrado, perto de seu coração. Então a abrace, a envolva em seu amor, sua sabedoria, sua luz. Sinta compaixão por aquela parte sua, tão assustada e sombria. Respire fundo e aceite.

Aceite o que quer que esteja lhe acontecendo. Aceite a si mesmo. Aceite sua sombra, sua feiura, seu medo, sua dor.

Quando você aceita, você dá um passo. Você para de gastar sua energia julgando sua experiência e passa a criar o momento seguinte da sua vida, e isso é a coisa mais linda e mágica que você pode fazer por si mesmo.

Você caminha na direção do novo, do recomeço. Na direção da cura.

Você cura a si mesmo.

E no final você compreende que foi para isso que aquela dor teve que acontecer.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Mamas do Amor



Hoje, o assunto é o Mamas do Amor, que tive a oportunidade de conhecer e participar de um mutirão. Como a autoestima é fundamental na recuperação das pacientes com câncer de mama, o projeto doa próteses externas para mamas, feitas com alpiste e meias de poliamida, às mulheres que não possuem prótese interna ou não tiveram acesso à reconstrução de mamas através de processo cirúrgico. Confira detalhes:


Em meados de 2016, Fernanda Chahin Bali foi diagnosticada com câncer de mama. Após a retirada das mamas, ela criou um projeto sem fins lucrativos para melhorar a autoestima das mulheres mastectomizadas. O Mamas do Amor nasce de uma vaquinha online e do sonho de doar mil pares de próteses para mulheres no Brasil. Porém, o valor dos Correios impossibilitou o projeto de ir mais longe. O envio chega a custar cinco vezes o valor do produto. Então, agora ela quer doar essa ideia para o mundo e cada pessoa poderá customizar a sua própria mama.



Para fazer as próteses externas, separe dosador, tesoura e meia poliamida 3/4 e alpiste. Despeje o alpiste dentro da meia. Bata para o alpiste assentar. Dê um nó. Envolva a prótese com o restante da meia e faça mais um nó. Corte o excesso. O nó vira o bico do seio. 



Para diferentes tamanhos, basta dosar a quantidade de alpiste: 40 (150 ml), 42 (180 ml), 44 (220 ml), 46 (300 ml), 48 (380 ml), 50 (450 ml), 52 (500 ml), 54 (600 ml). Caso tenha alergia, use com sutiã com abertura lateral. Para banho de mar ou de piscina, coloque a prótese dentro de uma camisinha. Armazene em local seco e arejado. A durabilidade é de 1 ano. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Leveza na vida



Nesta semana, compartilho com vocês o texto de Patricia Gebrim sobre a busca da leveza na vida. Confira a reflexão: 

Você quer leveza na vida, mas recusa-se a deixar ir o peso que o mantém dolorosamente atado ao chão. 
Você caminha pela vida tentando controlar tudo e todos, como um fantasma arrastando suas correntes pelo castelo. Não me admira que viva tão pesado e cansado. 
Você foge de si mesmo e precisa da aprovação do outro para validar quem é. Não me admira que sua auto estima esteja manchada.
Se quiser mesmo dançar na leveza da vida, aprenda a abrir mão, a deixar ir.
Comece aprendendo a ficar sozinho e em paz consigo mesmo. Tão em paz que cobranças e críticas alheias não lhe causem abalo. Tão em paz que você possa suportar que o outro não o aprove, que o outro talvez nem goste de você. 
Aprenda a fluir pela vida em plena aceitação do que quer que cruze seu caminho, faça amizade com qualquer experiência que bata à sua porta. Aceite que a vida é perfeita exatamente como é. Pare de lutar contra tudo e todos. A única luta válida é a luta contra a inércia que o mantém aprisionado nesse lugar tão cinza e pesado.
Largue as correntes que o aprisionam. Abra mão dessa necessidade de proteger o castelo. Descubra que além dos muros existe uma vida inexplorada, esperando por você. 
Ouça. Vá além dos muros do seu castelo. É lá que está a leveza. Nas asas dos pássaros que voam livres.
Não acredite em mim. Vá até lá e sinta por si mesmo!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

De Dentro Pra Fora



Eu comecei a ler o livro "De Dentro Pra Fora", da Juliane Pfeiffer, numa sexta à noite e terminei no domingo. Não queria parar de ler. É impressionante como cada frase e cada capítulo calavam fundo dentro de mim. E depois de alguns dias, releio e descubro uma nova resposta, um novo caminho, uma nova reflexão.

O depoimento lúcido, transparente e profundamente autêntico de Juliane falou de sentimentos, dúvidas, atitudes, propósito, erros e acertos na caminhada em busca do encontro consigo mesma. Inúmeras vezes, eu me vi em uma situação semelhante, com os mesmos anseios, dificuldades e a leitura acabou sendo uma leitura de mim mesma. Fui grifando, anotando e, principalmente, refletindo e fazendo um caminho de fora pra dentro.

Eu sempre amei ler! No entanto, de uns dois anos pra cá, diminuí a leitura de forma consciente para me conectar mais com meu coração, com minha alma, porque a minha mente sempre foi muito forte e acabava sendo uma habilidade e, ao mesmo tempo, um sabotador.

Lendo o livro “De Dentro Pra Fora”, resgatei a vontade de ler, sem medo, pois ali encontrei várias lutas e vi uma pessoa buscando a si mesma, procurando acessar sua alma e experimentando diferentes caminhos.

Sou grata a Juliane porque a leitura do seu livro foi uma experiência de conexão comigo mesma, com ela e com tantas outras pessoas que buscam hoje um encontro com quem verdadeiramente são e que querem construir uma vida com significado.

Nada nos emociona e nos inspira mais do que uma história de vida. Por isso, vou compartilhar trechos do livro que calaram fundo dentro de mim e qu,e da mesma forma que me ajudaram, podem ajudar outras pessoas no seu caminho de aprendizado. 

“Quando abrimos espaço para o vazio, a tendência é colocar outra coisa em seu lugar. Assim, nos desviamos novamente do caminho e continuamos na ilusão. Às vezes percebia depois de ter desviado e aí retomava a energia para voltar. Fui me aprimorando nessa vigilância e, muitas vezes, já percebendo as armadilhas do ego por vir, voltava para o eixo antes de me perder.”

Eu me vi nesta situação inúmeras vezes e me senti exatamente desta forma. E me perguntava: "por que cometo sempre os mesmos erros?". E a resposta da alma vinha: "porque ainda não aprendeu, Jamile". Hoje ainda luto muito para não me perder de mim, não deixar o ego falar mais alto do que a minha alma.

E aí me lembro de uma frase da Patrícia Gebrim, outra pessoa que com sua linguagem simples e profunda sempre me ajudou nesta busca da conexão com minha alma: Entregue seu ego para sua alma e deixe que ela cuide dele, amorosamente. Acho que quando isso acontece integramos LUZ e SOMBRA, esta dualidade que nos acompanha na vida e que faz parte do nosso aprendizado e busca de equilíbrio. 

A nossa LUZ vem da nossa ALMA e esta conexão acontece apenas quando reconhecemos o nosso EGO e o entregamos para nossa alma e nos conduzimos alinhados a ela.

“Havia uma armadilha na história do propósito, com a qual eu me deparei, que era buscar e compreender o que o mundo precisa, e não o que eu preciso. Patinei nessa ilusão do que o mundo precisa e me dei conta de que essa também é uma história do ego. Quando o ego faz pelos outros buscando reconhecimento, já não é verdadeiro. Quando realizamos nosso desejo de alma, acessamos uma luz dentro de nós que ilumina fora também.A essência emerge naturalmente quando estamos ancorados em nós mesmos e, assim, damos e recebemos verdadeiramente.”

Nós, mulheres, fomos educadas para pensar nos outros e, todas as vezes que pensamos em nós mesmas, nos sentimos egoístas. Isso é um condicionamento que recebemos de todos os grupos dos quais fazemos parte e para desconstruir esta atitude interna não é fácil e nas tentativas desta desconstrução vamos nos perder várias vezes. 

Quando fui a Findhorn em 2015, aprendi muito sobre a importância da conexão comigo mesma. Tudo começa por mim. Eu sou o ponto de partida para qualquer mudança que queira fazer em minha vida.

Fazer pelos outros buscando reconhecimento é outra luta insana.

A necessidade básica de qualquer ser humano é amar e ser amado. E as armadilhas do ego construídas em meu caminho de aprendizado para atender esta necessidade foram inúmeras, mesmo que de forma insconsciente. Daí esta necessidade de fazer pelos outros e querer ser reconhecida. Este reconhecimento na maioria das vezes fez com que eu me sentisse amada. 

Mas até eu reconhecer que não preciso disso para me sentir amada, que o AMOR está dentro de mim e que preciso deixar fluir porque esta é a natureza da minha alma, existiu muito “jogo” que meu ego e o de outras pessoas promovia para me controlar.

E eu só consegui ir me libertando quando comecei a tomar consciência e passei a me “monitorar”. E posso afirmar que esta luta é difícil e dolorida.

Toda vez que entrei neste jogo do ego, tinha uma sensação de mal-estar no final. Naquela hora que colocava a minha cabeça no travesseiro e vinha o pensamento: "de novo!" e um sentimento de tristeza e frustração que acompanha sempre estas situações. Hoje, esse mal-estar já aparece antes do final por causa da consciência que ganhei, mas ainda escorrego bastante.

“Querer acender a vela dentro do outro, ou seja, querer que o outro veja o mesmo que estamos vendo, drena energia e gera frustração. É preciso respeitar o momento de cada um, pois apesar de estarmos todos conectados, o processo de despertar é individual”

Quantas vezes eu vivi esta situação! O maior respeito e a maior prova de afeto é deixar que a pessoa trilhe o seu caminho de aprendizado, sofra suas dores, encontre a sua forma de vencer os obstáculos para que possa crescer e descobrir como pode e quer ser feliz. E não será do meu jeito, mas do jeito dela, com os recursos e as habilidades de cada um. Todo mundo tem o que precisa, mas precisa descobrir por si só.

Isto é claro e lógico ao ser falado, mas muito difícil de ser vivido porque novamente o ego entra em ação e os jogos que minam os relacionamentos prevalecem na maioria das vezes, promovendo conflitos, desarmonia e muita falta de amor. Várias vezes eu me senti responsável pelo outro e achava que podia e devia ajudar. Só que neste caminho eu me perdia e entrava novamente no jogo. E assim, as armadilhas foram se sucedendo até que não aguentando mais, tive que dar um “basta”. Não foi um basta, mas vários, sempre retroagindo e voltando para o mesmo caminho anterior. 

Muitas vezes os sinais vêm muito fortes com doenças que nos mostram que estamos cada vez mais nos afastando de quem verdadeiramente somos.

Eu vivi isso quando tive câncer várias vezes. E hoje enxergo esse período como o início do meu processo de libertação e o começo do caminho de volta ao encontro comigo mesma.

“E foi um vai e vem de estar consciente, voltar para o caminho e de me perder no ego. Aos poucos, as estruturas vão sendo desconstruídas. Desconstruir, desaprender, descondicionar, desapegar, permitir e deixar fluir.”

Eu vivi intensamente tudo isso nos últimos 17 anos de minha vida. 

Desconstruir comportamentos arraigados.

Desaprender e descondicionar atitudes que se tornaram hábitos.

Desapegar de tudo que me impedia de me libertar.

Permitir-me ser feliz naquele momento, fazer escolhas seguindo o meu coração.

E deixar fluir. Meu Deus, esta é a minha maior luta no momento: viver com leveza, sem controle, com muita entrega e fé, pois, com todos os erros e acertos, estou dando o meu melhor.

“Era tudo que eu estava fazendo de certa forma: olhando para os meus medos e espantando-os ou abraçando-os através da consciência. Perdoei-me, desfiz acordos e fiz novos. Prometi à minha alma que jamais a abandonaria. Para isso é necessário bancar a essência , em qualquer circunstancia, agradando ao outro ou não, sendo reconhecida ou não. Bancar a alma demanda coragem! Coragem de abrir mão do ego: estar em mim, para mim e por mim.É fácil? Não. É possível? Sim.

Não tem nada a ver com egoísmo, muito ao contrário. O respeito ao outro emana do respeito a mim mesma. O amor ao outro emana ao amor a mim mesma. O sacrifício gera ressentimento e cobrança. Quando nos comprometemos com nossa alma, estamos em paz. E em paz dentro, somos capazes de fazer paz fora.” 

Eu vivi muitos anos de minha vida desconectada com a minha alma, com muitos medos que me seguravam a uma situação em que eu não era feliz. E realmente isso gerou muito ressentimento, muita raiva que depois se transformaram em câncer e esta doença era um sinal para eu acordar. Foram várias vezes, porque se fosse apenas uma vez não teria sido suficiente. Hoje enxergo isso com clareza e sou grata pela doença ter se manifestado.

Juliane diz: a alma não gosta de ser presa. Ela é livre. E ela se manifesta quando damos espaço.

E isso eu sinto com muita intensidade neste momento que estou vivendo. Às vezes, fico indecisa quando tenho que decidir e escolher. Mas, uma coisa eu tenho certeza, sei muito bem o que eu não quero: não quero me perder de mim, eu não quero perder a conexão com minha alma. E manter esse movimento na vida de dentro pra fora não é fácil porque a realidade, os padrões que nos deparamos nos pressionam no sentido inverso: o foco é de fora para dentro e quem comanda é o ego.

São forças inversas como todas as dualidades que encontramos no dia a dia. E a nossa meta é integrar e inverter o processo e isso demanda erros e dores, idas e vindas.

Entregar é confiar. Confiar é agir com fé. Medo é ausência de amor, de confiança. Nossas ações no mundo material exigem empenho, mas não esforço.Quando necessito da força no sentido de esforço, para que algo aconteça, esta vontade vem do ego. É o querer a qualquer custo. E às vezes sacrificando-se a si mesmo.

Quando agimos com consciência, alinhados a nossa alma, aquilo que acontece é sempre perfeito. Por quê? Porque é verdadeiro.

Quanta energia perdi me esforçando para atender o ego. Uma exaustão e sensação de andar na areia movediça, sem sair do lugar.

Cada vez que ao caminhar eu percebia velhos padrões voltando era porque as coisas caminhavam de fora pra dentro.

Entrego, confio, aceito e agradeço. Quantas vezes eu mentalizei isso ao dormir ou acordar. E repetia como um mantra.

Acender a minha velinha dos anjos cada dia da semana, com uma intenção para mim porque eu precisava disso para apoiar a minha alma na grande transformação que precisava ser feita foi outro ritual que criei porque favorecia o encontro com minha alma.

Fazer minha ioga regularmente me dava e ainda me dá muita força para me desconectar da mente, do ego e me conectar com minha alma.

Todos estes recursos usei nos últimos anos. Nestes anos de desafios e dores, em que estava muito claro o que eu não queria: não queria me perder de mim de novo e isso eu defenderia a qualquer custo.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Coisas que aprendi no ano de 2016


Para fechar 2016, fiz uma lista de coisas que aprendi ao longo do ano. Que 2017 traga ainda mais aprendizados!

- Aprendi que, quando estou alinhada com a minha alma, tudo caminha na direção certa.

- Aprendi que nada acontece antes, nem depois. Tudo acontece na hora certa para que eu esteja realmente apta a viver e aprender com aquela experiência.

- Aprendi que a doença é um sinal de que preciso olhar mais para dentro de mim, atender as minhas necessidades e deixar de lado o que os outros esperam que eu faça.

- Aprendi que não podemos ignorar a tristeza e a dor, mas aceitar, vivenciar para depois superar e transmutar.

- Aprendi que, quando trabalho, ganho energia. O entusiasmo e a vontade de viver tomam conta de mim, pois este é o meu estado de espírito natural.

- Aprendi que o estado de gratidão me fortalece, me dá força e alimenta a minha fé.

- Aprendi que, em qualquer etapa da vida, a nossa “criança” precisa estar presente para estarmos sempre abertos para aprender. Pois, quando paramos de aprender, paramos de viver.